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Marinalva

Marinalva

Em Setembro de 2016 fui convidado pelo coreógrafo, professor e bailarino Fábio Sanfer para fotografar o primeiro trabalho da Companhia Armorial de Dança Contemporânea. Durante um almoço fui apresentado a parte do elenco pelo bailarino e artista circense Ciro Ítalo, o qual já havia fotografado algumas vezes em espetáculos da Intrépida Trupe. De imediato fiquei encantado com a história narrada no espetáculo, pois sou um adorador da cultura regional brasileira. Não me atreverei a escrever sobre “Marinalva – ou o bouquet que se desfez”, mas reproduzo adiante texto da própria Cia Armorial sobre sua história e a história de Marinalva.

O espetáculo esteve em cartaz no Teatro Baden Powell, Sala Ziembinski e no Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, além de apresentações na cidade de Três Rios, RJ. Fotografar o espetáculo em três salas diferentes, com posicionamentos e iluminação diferentes, foi um desafio agradável e contribuiu muito no desenvolvimento de minha técnica fotográfica, ao ponto de produzir o livro de fotografia “MARINALVA” e apresentá-lo como trabalho de conclusão de curso de pós graduação em fotografia e imagem.

Desejo uma vida longa à Cia Armorial, e que eu possa acompanhar sua jornada de sucesso. Agradeço imensamente a todo o elenco (Fábio Sanfer, Camille Almeida, Ciro Ìtalo e Mariana Flores) pela confiança e carinho.

Então convido a você, leitor, a conhecer um pouco mais desta história.

“A Companhia Armorial de Dança Contemporânea é uma iniciativa artística surgida em 2015 que tem como principal objetivo a criação de espetáculos onde a dança contemporânea e a cultura popular do nordeste brasileiro estabeleçam pontes de comunicação com o propósito de gerar trabalhos cênicos fortemente ligados a uma certa heráldica cultural brasileira, capaz de produzir no corpo dançado aspectos de territorialidade e identidade. A idealização deste primeiro projeto, intitulado MARINALVA surgiu a partir de depoimentos feitos por Marinalva Ferreira a seu filho, o coreógrafo Fábio Sanfer; uma série de conversas entre mãe e filho que muito marcaram a sua criação e que vieram agregadas à memórias e histórias de experiências do povo do Sertão. Com forte matiz autobiográfico, MARINALVA é ao mesmo tempo uma reflexão sobre questões histórico-geográficas vivenciadas pela comunidade nordestina brasileira, bem como o resgate da necessidade de repensar conceitos em torno da identidade cultural, reforçando a pujança da cultura de uma região tão rica e múltipla.

Após o repentino falecimento da narradora que dá nome ao espetáculo, o coreógrafo se vê tomado por um forte impulso criativo produzido pelo luto, onde a inspiração emerge na forma de um grande desejo de criar um trabalho memorial, capaz de narrar uma aventura amorosa vivida por sua mãe adolescente em meio a todas as adversidades e desafios de morar numa cidade interiorana do sertão sergipano.

Tal ato se torna uma grande aventura na direção de festejar a vida e descobrir lembranças afetivas há muito tempo esquecidas pela ação do tempo sobre a memória do artista radicado no Rio de Janeiro há mais de uma década, transformando assim o ambiente cênico em uma plataforma que dá vida a uma narrativa artística pessoal e cheia signos, afetos e mensagens subjetivas não só traduzidas mas vividas por todos os envolvidos na construção do espetáculo através dos laboratórios criativos executados durante a pesquisa.”

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